Love is all

memórias

November 11, 2009 · 2 Comments

“Je suis devenu photographe parce que je n’ai pas de mémoire.” Patrick Zachmann

à medida que crescem, algumas pessoas (as melhores, na minha opinião) vão perdendo certezas. eu sou uma das melhores, signifique isso o que significar. as minhas amigas também são do melhor que há por aí. o problema é que alguém ser melhor do que a rasca média humana é um fardo. não sei se é de Portugal, se é do Mundo no geral, honestamente não sei dizer. mas sei que estou farta de ver pessoas boas sofrerem por serem boas, por serem honestas, por acreditarem, por se emocionarem, por se apaixonarem, por se questionarem, por exigirem uma perfeição inofensiva. estou farta de ver vingar a mediocridade, a desonestidade, a ignorância, o egoísmo, o plágio, o ciclo eterno da maldade qualitativa e quantitativa, o ciclo eterno dos fracos que não têm coragem para (se) quebrar. estou farta do meu próprio discurso e já não digo com a mesma certeza “eu sei que vais ser feliz” porque a felicidade não se merece, a felicidade constante é algo só ao alcance dos mais detestáveis, dos que sorriem à custa de ilusões que não cabem no meu mundo e que não cabem no mundo dos que eu amo. para mim a única maneira de ser feliz é fotografar-vos a todos, esquecer-me de tudo, não me lembrar de nada, inclusive de mim.

Este post vem a propósito de muitas coisas, mas está principalmente ligado a uma conversa que tive há pouco, em que diziamos algo como “a vida que nos obrigam a ter e que inclusive nos fazem acreditar que queremos ter é como uma existência paralela à nossa vida essencial, sempre que persigo objectivos de carreira e começo a atingi-los sinto um vazio, uma falta de sentido. já pensei que tinha fobia a responsabilidades, medo de falhar, já acreditei que o facto de ter nascido em setembro me tornava demasiado perfeccionista. agora entendo que tudo isto é verdadeiramente inócuo. mas que podemos nós fazer senão continuar a perseguir os sonhos que nos impõem e a adiar os nossos.

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